A juventude não foi feita para o prazer, mas sim para o heroísmo!

quinta-feira, 4 de setembro de 2008

O cavaleiro medieval

Plinio Corrêa de Oliveira


Na Idade Média, os conceitos de cavalaria e de nobreza em certo sentido se confundiam. Assim, nem sempre o cavaleiro era nobre, mas muitos deles participavam dessa condição; nem todos os nobres eram cavaleiros, embora muitos o fossem.


Que característica do cavaleiro medieval o tornou célebre na História?
O traço marcante foi a Fé.


Daí a coragem que o cavaleiro revelava nas mais terríveis das lutas, as cruzadas, visando libertar o Santo Sepulcro de Nosso Senhor Jesus Cristo. Tais empreendimentos almejavam esse objetivo no Oriente, e, na Península Ibérica, aspiravam livrar, do jugo maometano, as populações espanhola e portuguesa.


A grande capacidade de combate desse guerreiro era explicável: tratava-se de defender a Religião, ao que ele se entregava inteiramente, arriscando mesmo a própria vida.
Tal característica existiu no cavaleiro medieval em harmonia com outras notas, aparentemente contraditórias.


O cavaleiro era homem de Fé. Contudo, dotado também de espírito prático, chegou a edificar grandes fortificações, esplêndidos castelos e, em alguns casos, imponentes catedrais, levando mais longe do que ninguém a arte de construir maravilhas.


Ele, corajoso na luta, requintou, pouco a pouco, as regras de boa educação e do convívio amável.
Altivo perante seus iguais, mas benevolente no trato com o sexo frágil, os velhos, os doentes e os feridos na guerra. Então, parecia ele, por assim dizer, feito de açúcar. Entretanto, era só o inimigo ousar qualquer coisa contra os interesses da Igreja que aquele homem tão doce transformava-se num leão.


Ele, um batalhador, não obstante favoreceu enormemente a cultura, revelando-se um propulsor das artes e elevando o tom de vida a um nível menos rústico do que o vigente no início da Idade Média. Donde se explicam os bonitos móveis, as belas alfaias, a gastronomia refinada, os vinhos excelentes e os sinos harmoniosos surgidos naquela época histórica. Foram traços estes que o cavaleiro, antes tão rude, paulatinamente imprimiu na vida de então, tornando-a cheia de afabilidade e beleza. Em suma, colaborando para ser implantada a civilização católica.
Esse era o perfil do cavaleiro medieval.


Excertos tirados de comentários do Prof. Plinio Corrêa de Oliveirapara cooperadores da TFP em 18 de dezembro de 1992.Sem revisão do autor.

Fonte: Rev. Catolicismo.

quinta-feira, 28 de agosto de 2008

A virgindade: uma dedicação, um perfume de grandeza

Plinio Corrêa de Oliveira



Da virgindade não há louvor que não se possa fazer. Ela é por excelência uma dedicação, porque o homem inteiramente casto renuncia às comodidades e aos atrativos da vida de família para servir um ideal mais alto. Um ideal que não lhe dá recompensa na Terra, mas oferece recompensas no Céu. Auge da dedicação voltada propriamente para Deus, a castidade perfeita só tem sentido quando o homem resolveu viver para um ideal superior ao próprio ideal de família. Trata-se de ideal católico, evidentemente, pois nenhum outro ideal pode ser considerado autêntico e verdadeiro. A virgindade é então uma dedicação.
A virgindade é uma grandeza? É a grandeza por excelência.
Consideramos um rei santo. Rei puríssimo, São Luís IX tinha a missão de perpetuar a dinastia francesa. Ele casou-se, teve filhos e guardou plenamente a fidelidade conjugal. É uma maravilha.
Entretanto, quando ouvimos falar do Infante Dom Sebastião, o rei casto, puro, virginal, imolado numa batalha contra os mouros nas vastidões de Alcácer-Quibir, sentimos exalar-se um conjunto de ideais e grandezas, que adquire seu melhor fulgor no fato de Dom Sebastião ser virginalmente casto. Resplandece nele aquela auréola da castidade perfeita, não a respeitável castidade do matrimônio, mas a castidade da inteira abstenção de qualquer contato carnal. Um varão régio e virginal, sob uma couraça rutilante, polida e luzidia, brilhando ao sol da ≡frica, com uma lança na mão e uma coroa de Rei Fidelíssimo na fronte.
O trono da França era mais elevado que o trono de Portugal. São Luís foi um santo autêntico, canonizado pela Igreja. A Igreja não canonizou o rei Dom Sebastião, e talvez até houvesse certa temeridade em suas ousadias guerreiras, razão para não canonizá-lo. Entretanto, a figura dele é cercada de uma auréola, de uma poesia, de um perfume típico de grandeza que nem o grande rei São Luís nem o grande rei São Fernando de Castela tiveram. Nem mesmo o grande Carlos Magno o teve. É a aliança entre a majestade régia e a castidade perfeita, entre a virgindade e a coroa.

segunda-feira, 23 de junho de 2008

A alegria do bom combate

Plinio Corrêa de Oliveira
Não é grandioso o elmo, esse claustro ambulante dentro do qual não se fala, mas sob o qual um coração pulsa forte? Sim, porque é o amor de Deus, de Nossa Senhora e da Santa Igreja que lateja no coração do cavaleiro, incendeia seu olhar, arma-lhe o braço, esporeia o cavalo e... crava a lança no peito do infiel.
Entretanto aquele elmo pode servir de mortalha. E, ao ingi-lo, o cavaleiro sabe que se reveste de dupla coragem: a de matar e a de morrer! Ambas por amor a Deus, a Nossa Senhora e à Santa Igreja. Eis nessa coragem o fundamento de toda beleza do elmo.
Elmo... expressão sensível de uma deliberação: Lutarei por amor a Deus! E se for morto, desde já aceito uma morte atroz, a fim de que os outros passem sobre meu cadáver, avancem e ganhem a batalha! A morte para mim não é uma surpresa, não é um desastre, não é uma inimiga da qual devo fugir espavorido. Se a morte é o fim dos dias de todos os homens, que minha morte -- conforme os desígnios da Providência -- tenha este sentido sublime: que ela venha sobre mim provocada por meu amor a Deus, e impulsionada pelo ódio que Lhe votam os adversários.
s morte, neste encontro eu te venço! Porque ainda que tu me arranques a vida terrena... eu te arranco a Vida Eterna!

Nota : texto sem revisão do autor.

sexta-feira, 6 de junho de 2008

Si vis pacem, para bellum

(Se queres a paz, prepara-te para a guerra)


Plínio Corrêa de Oliveira


Quando vemos aqueles altaneiros castelos da Idade Média –– erguidos nas fronteira do Império de Carlos Magno, às margens do Reno ou do Danúbio, ou mesmo nas rotas que as tropas do Grande Imperador erguiam dentro da própria Espanha, para impedir o avanço dos mouros –– temos a impressão de que esses castelos ainda palpitam da batalha! Suas pedras parecem pulsar como corações! Mas... os homens não se lembram da lição de previdência que eles contêm. Qual essa lição? Ninguém ergue castelos no momento em que o adversário ataca. Constroem-se fortificações nos intervalos da guerra. E aqueles guerreiros da Fé, porque não eram pessoas de otimismo tonto, nos períodos de paz previam outros ataques e construíam seus castelos. Aqueles castelos eram obras da paz, mas de uma paz voltada para guerra! Assim devemos ser nós, os filhos da Santa Igreja militante, engajados na mais universal, terrível e santa das guerras, a guerra psicológica contra-revolucionária.(*) Nossas fortificações doutrinárias têm que ser edificadas na paz. É assim que erguemos nossos castelos combativos e esplêndidos, construídos em momentos de paz... mas voltados para a luta!
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Nota da Redação:A guerra psicológica revolucionária visa levar insensivelmente cada indivíduo, e até cada grupo social, a se aproximar do comunismo. Em oposição a essa, existe uma guerra psicológica contra–revolucionária, a qual, aplicando certos meios sempre conformes à moral católica, tem por objetivo restaurar a civilização cristã.


Fonte: Revista Catolicismo

quarta-feira, 28 de maio de 2008

O Castelo de Chambord

Harmonia misteriosa: força e delicadeza
Plinio Corrêa de Oliveira

Que maravilhoso conglomerado de torres! Quanta força! Quanta solidez!
Mas, ao mesmo tempo, o seu conjunto produz uma sensação de harmonia e delicadeza.
Há uma nobreza nesses tetos azulados que descem tão harmonicamente até a parte de cantaria de pedra, assim como algo de vigoroso nessas rochas agarradas ao chão, que parecem dizer: "Quem quiser me derrubar, se espatifa; quem quiser arrancar-me do solo tem que tirar o mundo dos seus próprios gonzos, porque eu sou uma torre do Castelo de Chambord e ninguém me tira daqui".
Que harmonia misteriosa nessa conexão entre a força e a delicadeza; entre o planejado do castelo e o espontâneo aparente da disposição das torres! Como é belo ver qualidades antitéticas juntas.
Por que oferecem beleza especial as qualidades harmônicas opostas quando juntas? Porque um dos princípios da beleza é o da unidade na variedade, que é a melhor imagem de Deus na criação natural e exprime uma das formas de perfeição que Deus pôs no Universo. Portanto, deve ser uma das exigências da alma humana. Assim, o espírito humano tende a contemplar o que é uno, mas também o que é vário, diverso e movimentado.
Nesse castelo, há unidade na variedade. Contemplando-o, minha alma repousa e ao mesmo tempo se eleva até Deus.
Que beleza, que elegância, que distinção, que nobreza, que grandeza, que requinte! Como isso nunca se conseguiu a não ser na civilização cristã! Como, ó Senhor Jesus Cristo, é fecundo Vosso sangue, pois, mil e quinhentos anos depois de Vossa morte, dele ainda nasce essa flor e desabrocha esse encanto! Senhor Jesus Cristo, Vós sois a fonte de toda graça, de toda glória e de toda beleza. Eu Vos adoro!
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Excertos da conferência proferida pelo Prof. Plinio Corrêa de Oliveira para sócios e cooperadores da TFP em 10 de julho de 1972. Sem revisão do autor.
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Nota: Chambord é um dos famosos castelos do vale do rio Loire. Construído pelo rei Francisco I a partir de 1519, é uma das obras-primas do estilo renascentista francês.



Fonte: Revista Catolicismo

sexta-feira, 23 de maio de 2008

Varonilidade pagã e falsa paciência cristã

Se compararmos os traços deste romano do século III de nossa era - representado em uma esplêndida escultura que se conserva no Palácio do Capitolino - com os do famoso Apolo do Belvedere, a incorreção deles se patenteia imediatamente. Deste ponto de vista, não se poderia dizer com rigor de expressão que se trate de um belo homem.
Entretanto, ninguém pode negar que uma certa sensação de beleza se desprende do conjunto de sua fisionomia. Mas é uma beleza principalmente moral. O talhe do rosto e a conformação do crânio são muito proporcionados. A fronte, as orelhas, os olhos, o nariz e a boca se adequam reciprocamente com perfeição. Destes traços, cada uma dá uma impressão de justa medida, de força, de regularidade, que parece encontrar no olhar sua mais alta e viva representação. Olhar límpido, sereno, grave, habituado a analisar o mundo com um senso de dominação e uma confiança em seus próprios recursos, realmente admirável. Olhar que deixa transparecer uma alma de têmpera varonil, capaz de enfrentar com força e nobreza os embates e os reveses da vida.
Tal era o romano, todos o sabem. E estas foram as qualidades que ele soube comunicar às suas grandes realizações: o Império, o direito, e as obras primas de sua literatura e de sua arte.
Mas se tal era o romano, muito particularmente tal era em Roma o militar. Pois foi pelo alto teor com que possuíram as qualidades do povo, que os exércitos romanos dominaram o mundo.

* * *

São Sebastião foi, no mesmo século III, comandante da primeira coorte sob os imperadores Diocleciano e Maximiniano. Esta tropa era a elite do exército, o qual, do ponto de vista da varonilidade, era por sua vez ( como dissemos ) a elite do povo. Não conhecemos nenhum documento capaz de nos esclarecer sobre a fisionomia do glorioso Mártir. Mas tudo leva a crer que seria ainda muito mais grave e forte do que a do romano anônimo do primeiro clichê.
E isto tanto mais quanto São Sebastião era católico. E a graça, elevando e fortificando a natureza, longe de debilitar nele as virtudes do romano, lhes dava um valor e uma intensidade incomparáveis.
Como admitir então que o nobre chefe de coorte se parecesse com este jovem, que crivado embora de flechas, se diria a um tempo a antítese da mortificação cristã e da gravidade de espírito?
Trata-se de um moço bem feito de rosto e de corpo, muito seguro de sua boa aparência, encantado de se exibir. Seu rosto tem uma expressão sentimental e caprichosa. A atitude de seu corpo é de quem está molemente gozando o sol e as brisas, um pouco cansado de estar de pé. Ele usa o tronco de árvore como confortável encosto, e arranjou um jeito de apoiar comodamente os pés em dois galhos cortados. As flechas não lhe causam a mínima dor. Nada, na sua figura, nos dá a impressão de que ele vai morrer. A lembrança de Deus e da vida eterna, a súplica para alcançar a perseverança final, a prece pela Santa Igreja, a invectiva salutar ou a palavra de bondade aos algozes, nada disto se exprime ou se representa no quadro.
Dir-se-ia que este moço, enfastiado por se achar só, está esperando que o venham buscar, a fim de volver aos afazeres da vida quotidiana.
Em última análise, trata-se de uma figura moralmente medíocre, preocupada exclusivamente consigo e com o mundo... na medida em que este lhe diz respeito. Pertence à família moral das almas banais.
Artisticamente, um grande quadro, que, aliás, se deve ao pincel imortal de Botticelli. Mas que o mestre não deveria ter intitulado "São Sebastião". Melhor teria sido apagar as flechas, figurar o jovem no nível do chão, e chamar o quadro "moço faceiro, tomando sol".
* * *
A que estes comentários? Para fazer sentir todo o mal que a Renascença pagã fez às almas, difundindo pela arte um estado de espírito impalpável mas contagioso, capaz de contradizer discretamente todas as idéias da Igreja sobre perfeição moral.
Advertência para os católicos, postos em face das aberrações tão mais graves de numerosos artistas modernos!

Fonte: Catolicismo Nº 73 - Janeiro de 1957

Castelo de Lourdes: marco vitorioso contra o Islã


No pináculo de um rochedo recoberto de abundante vegetação, protegendo, como um guerreiro, a pequena cidade onde Nossa Senhora quis se manifestar, ergue-se altaneiro o castelo-fortaleza de Lourdes, numa posição de domínio sobre o verde jante vale que se estende a seus pés.
Como fundo de quadro, nos confins do horizonte, parecendo desafiar o castelo-fortaleza, sobressaem grandiosas montanhas nevadas - contrafortes dos Pirineus.
Em estilo românico, com grossas e altas paredes de pedra, poucas e estreitas janelas, possante torre - na qual se localiza o donjon -, o castelo está situado bem próximo da gruta de Massabielle, onde Nossa Senhora apareceu a Santa Bernadette, e é certamente o símbolo mais expressivo da vitória dos católicos contra os mouros, na França.
A primitiva fortaleza, existente no local do castelo, era dominada por um chefe sarraceno, chamado Mirat, quando, em 778, Carlos Magno, o invencível Imperador cristão, com seus francos a cercou e tentou conquistá-la pela fome.
Aconteceu, entretanto, que uma águia, sobrevoando a fortaleza, deixou cair no seu interior uma truta que acabara de pescar no lago vizinho. Mirat mandou levar o peixe a Carlos Magno com uma mensagem, mostrando que uma praça tão abastecida de víveres poderia resistir ainda por muito tempo.
Carlos Magno enviou, então, ao comandante mouro um de seus embaixadores, o santo bispo de Puy, para dizer-lhe que se ele, Mirat, julgava rebaixar-se capitulando nas mãos do mais ilustre dos homens - o chefe dos francos ­poderia, sem nenhuma vergonha, render-se à Virgem, Nossa Senhora de Puy-en-Velay.
Mirat, tendo aceitado a proposta, rendeu-se e pediu o batismo, recebendo o nome de Lorus (de onde o nome de Lourdes), e conduziu seus guerreiros em peregrinação ao rochedo de Puy-en-Velay, para venerar a imagem da Santíssima Virgem.
Ainda hoje, as armas da cidade de Lourdes trazem três torres sobre as quais plana uma águia, tendo no bico uma truta. E uma escarpa do rochedo conservou o nome de "Rochedo da Águia".