A juventude não foi feita para o prazer, mas sim para o heroísmo!

segunda-feira, 28 de março de 2011

8º Acampamento da Ação Jovem em prol da Juventude!



Enquanto grande parte do Brasil se chafurda no lamaçal de imoralidade do Carnaval, 46 jovens reuniram-se para uma semana de estudos, oração e lazer, no 8º Acampamento da Ação Jovem pela Terra de Santa Cruz, entre os dias 4 e 8 de março, numa fazenda colonial de Campos, no Norte Fluminense. Eles eram provenientes dos estados: Ceará, Distrito Federal, Minas Gerais, Paraná, Rio de Janeiro e São Paulo.




O leitmotiv deste acampamento foi o Brasil, sua história e sua vocação. As palestras versaram sobre temas como D.Vital, a expulsão dos protestantes holandeses, Guerra de Canudos, Plínio Corrêa de Oliveira e sua obra, etc. Complementando o aspecto político-social, ainda uma reunião sobre um tema fundamental: devoção a Nossa Senhora, virtude e oração.




Para ilustrar a teoria, sobre o Brasil profundo, os jovens visitaram uma casa senhorial que pertenceu ao Visconde de Araruama, na cidade vizinha de Quissamã, e onde estiveram D.Pedro II, Princesa Isabel e outras grandes personalidades. O tônus aristocrático do Brasil foi bastante sentido.




Nesse mesmo dia assistiram missa na igreja, Imaculado Coração de Maria, em Cardoso Moreira, RJ, celebrada pelo Revmo. Pe. David Francisquini no rito tradicional, São Pio V, que com muito gosto ministrou também o sacramento da penitência.





Nos dias decorrentes houve jogos diversos, proporcionando sadio lazer. Todas as noites tinham programas mais leves, como teatros e projeções audiovisuais, ajudavam a sedimentar os ensinamentos do dia.









Como de costume, houve a recitação do Terço e o Ofício em honra a Nossa Senhora.










Para fechar em grande estilo, tiveram-se os tradicionais jogos e banquete medievais. Como lembrança do evento, os jovens receberam uma imagem de N.Sra. das Graças e o livro “O Idealismo”, com excertos do pensamento de Plínio Corrêa de Oliveira.



Os organizadores agradecem primeiramente a Nossa Senhora por tão abençoado e bem-sucedido acampamento da Ação Jovem, e também ao grande número de amigos que deram sua generosa contribuição para ser possível tal apostolado com a nossa juventude.



quarta-feira, 23 de março de 2011

A Fé explicada. Quem ama, conhece! E quem conhece, ama!


Nº 3


Por que estudar a Religião? — III


Na edição anterior foram expostas provas da existência de Deus. Na presente, provas de que o universo foi criado por Deus, e não fruto do acaso*


1 — O universo não pôde fazer-se a si mesmo, porque o que não existe não pode agir, e conseqüentemente não pode dar-se a existência. O ser que não existe é nada; e o nada, nada produz.


2 — O universo não é fruto da casualidade, porque a casualidade é uma palavra que o homem inventou para indicar sua ignorância e para explicar os fatos cujas causas desconhece.


Não existe efeito sem causa, nem ordem sem uma inteligência ordenadora. Lançai sobre o solo um montão de letras misturadas. Por ventura podem tais letras produzir um livro, se não há uma inteligência que as ordene? De modo nenhum! Reúnam-se em uma caixa todas as peças de um relógio. Por acaso chegarão a colocar-se por si mesmas no lugar que lhes corresponde, para iniciar o movimento e marcar as horas? Jamais!


3 — O universo não existiu sempre. Assim o reconhecem à uma todas as ciências. A geologia, ou ciência da Terra; a astronomia, ou ciência dos astros; a biologia, ou ciência da vida, etc. — todas sustentam que o mundo teve um princípio. “Nada há eterno sobre a Terra, disse um sábio. E tudo quanto se contém nas entranhas dos astros ou em sua superfície teve princípio e deve ter algum fim”.


4 — Pode-se demonstrar a existência de Deus pelo movimento dos seres criados?


Sim, porque não há movimento sem um motor, quer dizer, sem alguma causa que o produza. Pois bem, tudo quanto existe no mundo obedece a algum movimento que tem que ser produzido por algum motor. E como não é possível que exista realmente uma série infinita de motores, dependentes uns dos outros, é preciso que cheguemos a um motor primeiro, eterno e necessário, causa primeira do movimento de todos os demais. A esse motor primeiro chamamos Deus. [...]


5 — Podemos deduzir a existência de Deus mediante a contemplação dos seres vivos?


Sim, a razão, a ciência e a experiência nos obrigam a admitir um Criador de todos os seres vivos disseminados sobre a Terra. E como esse Criador não pode ser senão Deus, segue-se que da existência dos seres vivos podemos concluir a existência de Deus.


As ciências físicas e naturais nos ensinam que em um determinado tempo não havia nenhum ser vivo sobre a Terra. De onde provém, então, a vida que agora existe nela — a vida das plantas, a vida dos animais, a vida do homem?


A razão nos mostra que nem a vida intelectiva do homem, nem a vida sensitiva dos animais, nem sequer a vida vegetativa das plantas podem ter brotado da matéria. Razão? Porque ninguém dá o que não tem. E como a matéria carece de vida, tampouco pôde dá-la. A ciência verdadeira estabelece que nunca nasce um ser vivo se não existe um gérmen vital, semente, ovo proveniente de outro ser vivo da mesma espécie.


E qual é a origem do primeiro ser vivo em cada uma das espécies? Remontemos de geração em geração, e sempre chegaremos a um primeiro criador de todos os seres vivos, causa primeira de todas as coisas, que é Deus.


__________


* Tradução de trechos do livro La Religión Demostrada, do Padre P.A. Hillaire, Editorial Difusión, Buenos Aires, 8ª edição, 1956, pp. 7 e 8.


Fonte: Revista Catolicismo, março de 2009, Leitura Espiritual

Jovens furam o cerco da imoralidade

Nos Estados Unidos, Guatemala e Equador, alguns exemplos da guarda da castidade pelos jovens, dignos de serem admirados e imitados



Gregório Vivanco Lopes


Em nossa época de propaganda e marketing, talvez nenhum “produto” seja tão promovido e exaltado quanto a imoralidade. Cinema, novelas na TV, anúncios, reportagens nos jornais e revistas, a abundante miscelânea da Internet. Outros itens como modas, patrocínio oficial, atividades a favor dos “direitos humanos”, educação sexual nas escolas, legislação permissiva — tudo colabora no mesmo sentido. Nunca é demais lembrar, infelizmente, a conivência — ou pelo menos a omissão — de não poucos membros do clero “progressista”.


Para ninguém escapar a essa pressão onímoda que se exerce especialmente sobre os jovens, alvo preferencial da onda corruptora, ergueu-se em torno deles um fenomenal muro psicológico, mais danoso para as almas do que os muros e muralhas que se constroem para cercear a liberdade de povos e nações. Trata-se de um muro alicerçado em brincadeiras maliciosas, zombarias, insinuações, visando colocar no ridículo e menosprezar o jovem que ouse sair dos trilhos da corrupção moral.


Somente a sólida convicção em torno de princípios muito claros, apoiada por uma coragem a toda prova, pode habilitar o jovem a não se dobrar a tão grande pressão e furar o cerco. Não se trata portanto de tarefa para tolos tipo maria-vai-com-as-outras, nem para covardes.



Segundo o escritor católico francês Paul Claudel, a juventude não foi feita para o prazer, mas para o heroísmo. Um heroísmo que se obtém mediante a oração e a devoção a Nossa Senhora.


O educador e escritor húngaro Mons. Tihamer Toth (1889-1931), em seu livro “O Brilho da Mocidade”, tem este belo pensamento: “Se eu tivesse que dar uma medalha de ouro, escolhendo entre um general que ganhou uma guerra ou um jovem que vive a castidade, eu a daria para este último”.


Por tudo isso, alegra-nos constatar o surgimento, aqui e acolá, de grupos de rapazes e moças que furam o cerco e se unem para enfrentar a onda de imoralidade, guardando a castidade. Lírios nascidos no lodo e banhados pelo sol da pureza, eles merecem todo nosso apoio e incentivo, para que perseverem. Seguem alguns exemplos.


Guatemala: Ato diante do Santíssimo Sacramento

Durante o Primeiro Congresso da Juventude Católica da Guatemala, realizado nos dias 13 e 14 de março último, mais de sete mil jovens lotaram o Coliseu Domo na Cidade da Guatemala.



Começaram o evento com uma procissão, seguida por uma consagração mariana.



Em seguida os milhares de jovens passaram algum tempo em adoração eucarística. Estando todos ajoelhados diante do Santíssimo Sacramento, o ator mexicano convertido Eduardo Verástegui rezou com eles a oração de promessa de castidade. Todos prometeram “lutar pela virtude da pureza” e “levar uma vida casta”. Depois Verástegui narrou como se deu sua conversão, e desafiou os rapazes e moças a “seguir os mandamentos de Deus e ser santos do terceiro milênio”.


Da mesma forma, a ex-atriz mexicana de telenovelas, Karyme Lozano, compartilhou sua experiência de conversão: “Abandonou sua bem sucedida carreira para viver uma vida cristã consistente, de acordo com os ensinamentos da Igreja”.(1)


Equador: Promessa de castidade e fidelidade matrimonial


Em 25 de março último, dez mil jovens equatorianos de ambos os sexos, das cidades de Quito e Cuenca, prometeram publicamente manter-se castos até o matrimônio, e depois de casados serem fiéis a seu cônjuge até a morte.


Amparo Medina, membro de Ação Pró-Vida, instituição organizadora do ato, disse que os milhares de jovens ouviram “testemunhos sobre a indústria da morte, os anticoncepcionais, o aborto, a mentira dos preservativos, as conseqüências da anticoncepção”.(2)


Estados Unidos: Oposição à “cultura moral decadente”


Conceituado site americano-canadense(3) noticia a realização do “Dia da Pureza”, comemorado em 12 de fevereiro, em que os participantes celebram a castidade. Um rol de instruções para a celebração termina com a exortação de São Paulo: “Ninguém te despreze por seres jovem. Ao contrário, torna-te modelo para os fiéis, no modo de falar e de viver, na caridade, na fé, na castidade” (I Tim. 4,12). A notícia informa ainda: “Milhares de jovens estão se preparando para celebrar o verdadeiro significado do amor, através da participação no sétimo dia anual da Pureza. Mais de 300 escolas em 44 estados [americanos], assim como centenas de igrejas e outras organizações em toda a América, se inscreveram para participar do Dia da Pureza, que é patrocinado pelo Conselho da Liberdade”.


O site-base da iniciativa explica: “O Dia da Pureza é um dia em que os jovens podem fazer uma demonstração pública do seu compromisso em manterem-se sexualmente puros, em pensamentos e ações. [...] Oferece aos que lutam pela pureza sexual uma oportunidade de estar juntos, em oposição a uma cultura moral decadente”.


Para Larry Jacobs, diretor do Congresso Mundial das Famílias, “é revigorante ter um dia especialmente dedicado a promover a abstinência antes do casamento”.


Adolescentes virgens, por razões religiosas e morais


Iniciativa isolada, minoritária, fadada ao fracasso?


O mais surpreendente é que a resposta é simplesmente NÃO! E esta resposta tem caráter oficial, pois um estudo do governo dos EUA constatou que a maioria dos adolescentes americanos são virgens. O relatório, com data de junho de 2010, foi elaborado pelos Centros de Controle de Doenças e Prevenção, sob o título “Os adolescentes nos Estados Unidos: Atividade Sexual, Uso de Anticoncepcionais e Gravidez”.


No período de 2006 a 2008, 58% dos rapazes e 57% das moças entre 15 e 19 anos relataram que nunca haviam tido relações sexuais. Os números confirmam os de outro estudo realizado em 2002. Razão mais alegada pelos adolescentes, para não terem relações sexuais: “É contra a religião ou a moral”.


Segundo Judie Brown, presidente da American Life League (ALL), “este estudo tem uma importância enorme para as nossas escolas públicas e privadas, em muitas das quais regurgitam perigosamente currículos com programas imprecisos de educação sexual”.


O número de adolescentes com experiências sexuais teve seu pico em 1988 (51%). A partir daí a abstinência veio ganhando terreno nos Estados Unidos.(4)


Notas:
1. Catholique News Agency (CNA), 18-3-10.
2. Agência Informativa Católica Argentina (AICA), 1º-4-10.
3. LifeSiteNews, 10-2-10.
4. EWTN News, 11-7-10.


Fonte: Revista Catolicismo, fevereiro de 2011.

sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011

A Fé explicada. Quem ama, conhece! E quem conhece, ama!

Nº 2


Por que estudar a Religião? — II

Continuamos a desenvolver os pontos de Apologética(*) que iniciamos na última edição, com argumentos provando a existência de Deus — supremo e eterno, criador e conservador do Universo

1 — Qual é a verdade primeira, que nenhum homem pode ignorar?


Antiga representação alemã da criação do mundo

A existência de Deus, quer dizer, de um Ser eterno, necessário e infinitamente perfeito, Criador do Céu e da Terra, absoluto Senhor de todas as coisas, as quais governa com sua Providência. Esta é a verdade fundamental sobre a qual descansa o edifício augusto da religião, da moral, da família e de toda a ordem social.




Se não há Deus, a religião é completamente inútil.


A moral careceria de base se Deus, em virtude de sua santidade, não estabelecesse uma diferença entre o bem e o mal; se, com sua autoridade suprema, não tornasse obrigatórias as normas dessa moral; e se, com sua perfeita justiça, não premiasse o bem e não castigasse o mal.

É impossível conceber a família e a sociedade sem leis, sem deveres, sem as virtudes da caridade, etc.; e todas estas virtudes, se Deus não existisse, seriam puras quimeras.

2 — Podemos estar certos da existência de Deus?

Sim, podemos estar tão certos de que Deus existe, da mesma forma como estamos certos de que existe o Sol. É verdade que não vemos Deus com os olhos corporais, porque Ele é um puro espírito; mas são tantas as provas que nos demonstram sua existência, sem margem de dúvida, que seria necessário ter perdido por completo a inteligência para afirmar que Ele não existe.

Não pode a mente humana compreender a natureza íntima de Deus nem os mistérios da vida divina; mas pode, sim, estabelecer com plena certeza a sua existência e conhecer algumas de suas perfeições. Não podemos ver Deus, certamente, com os olhos do corpo, mas podemos contemplar suas obras. Assim como pela vista de um quadro deduzimos a existência do pintor que o fez — posto que a existência do efeito supõe a da causa que o produziu — assim também podemos remontar dos seres criados ao Criador, causa primeira de tudo quanto existe. Isto é o que afirma o Concílio Vaticano I: “Com a luz natural da razão humana, pode ser conhecido com certeza, por meio das causas criadas, o Deus único e verdadeiro, Criador e Senhor nosso”.

3 – Como se demonstra, pela existência do universo, a existência de Deus?

A razão nos diz que não há efeito sem causa. Vemos um edifício, um quadro, uma estátua, e imediatamente nos vem à mente a idéia de um construtor, de um pintor, de um escultor que tenham feito essas obras. Do mesmo modo, ao contemplar o Céu, a Terra e tudo quanto existe, pensamos que devem ter uma causa. E a essa causa primeira do mundo, chamamos Deus. Logo, pela existência do universo podemos demonstrar a existência de Deus.

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* Tradução de trechos do livro La Religión Demostrada, do Padre P.A. Hillaire (Editorial Difusión, Buenos Aires, 8ª edição, 1956, pp. 2 e ss.)


Fonte: Revista Catolicismo, fevereiro de 2009, Leitura Espiritual

sábado, 8 de janeiro de 2011

A Fé explicada. Quem ama, conhece! E quem conhece, ama!

Nº 1

Por que estudar a Religião?

Iniciamos nesta edição uma série* sobre apologética (parte da Teologia que visa a defesa da fé contra seus opositores), tendo em vista sua utilidade em nossa época de confusão e decadência religiosa O primeiro preâmbulo da fé: existe um Deus criador de todos os seres

O estudo da Religião é um dever de todo homem; pois, pela sublimidade de seu objeto, pelos gozos que proporciona ao espírito e pelas conseqüências que pode ter em nossos eternos destinos, supera em dignidade e importância a todo outro estudo de caráter puramente terreno. Ele deve ser, por conseguinte, o objeto de nossas preferências, pois se trata dos primeiros deveres que nos tocam e de nossos eternos destinos.

Nestes tempos, não basta um conhecimento superficial da Religião. É necessário possuir dela a própria ciência, essa ciência luminosa que engendra convicções firmes e nos torna capazes de refletir sobre nossas crenças. Pois bem, esta ciência não se possui quando não se está em condições de responder a esta pergunta: por que sou católico? Dizia São Paulo aos primeiros discípulos: ‘Estai sempre prontos para responder àqueles que peçam a razão de vossas esperanças’.

O ato de fé nas verdades religiosas deve estar fundado na razão. Por conseguinte, é preciso que a razão nos prepare para aceitar as verdades da fé, mediante os motivos de credibilidade. A apologética é a ciência que estabelece com certeza os fundamentos ou preâmbulos da fé, demonstrando quanto há de racional, legítimo e indispensável em crer.

Os preâmbulos da fé são verdades preliminares que servem de fundamento ao estudo da Religião. Estas verdades constituem artigos de nossa fé. [...] Podem reduzir-se a cinco principais:

1ª. Existe um Deus criador de todos os seres;

2ª. O homem, criado por Deus, tem uma alma espiritual, livre e imortal;

3ª. O homem está obrigado a admitir uma religião: só uma religião é boa, e só uma é verdadeira;

4ª. A única Religião verdadeira é a cristã;

5ª. A verdadeira Religião cristã é a católica.

Todas essas verdades se acham ligadas umas com as outras como os elos de uma cadeia:

1 – A existência de Deus e a criação do homem por Deus provam a necessidade de uma Religião.

2 – A necessidade de uma Religião nos obriga a buscar a verdadeira, querida e imposta por Deus aos homens.

3 – A única Religião imposta por Deus é a cristã.

4 – A Religião cristã só se acha íntegra e verdadeiramente na Igreja Católica, a única e verdadeira Igreja fundada por Cristo.

5 – A Igreja Católica é a infalível Mestra da fé, que com autoridade recebida de Deus nos ensina o que devemos crer e o que devemos praticar para ir ao Céu.

Bastará, pois, demonstrar estas cinco verdades fundamentais, e todas as demais derivarão delas como um rio de sua fonte, como as conseqüências de um princípio. Uma vez demonstradas, poderemos concluir que a Religião Católica é a única verdadeira, e que só se podem pôr em dúvida ou negar seus dogmas abjurando a razão e o bom senso”.

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* Tradução de trechos do livro La Religión Demostrada, do Padre P.A. Hillaire (Editorial Difusión, Buenos Aires, 8ª edição, 1956, pp. 21-22).

Fonte: Revista Catolicismo, janeiro de 2009, Leitura Espiritual


segunda-feira, 20 de dezembro de 2010

Simplesmente um conto? Ou um reluzimento de verdades!?

Especial!
Espírito de Natal!


O Natal do Chouan
Nas Margens do Couesnon, nessa região de Fougères que, de 1793 a 1800, foi teatro da epopéia dos Chouans (camponeses do noroeste da França que se insurgiram contra a Revolução Francesa, em defesa do Trono e do Altar), numa noite de inverno de 1795, um destacamento de soldados da República revolucionária seguia por um atalho bordejando a floresta. De ombros caídos, com ar aborrecido e fatigado, vergados ao peso de enorme mochila e da espingarda que levavam a tiracolo, lá iam, conduzindo um camponês que, ao cair da noite, emboscado nos juncos, fizera fogo sobre o pequeno grupo. A bala atravessara o chapéu do sargento e, fazendo ricochete, fora quebrar o cachimbo que um dos soldados fumava. Imediatamente perseguido, acossado, encurralado contra uma escarpa, o homem fora preso e desarmado. Seguia de mãos amarradas, com ar impassível e duro. Os seus pequenos olhos claros espiavam de fugida as sebes que orlavam o caminho e os atalhos tortuosos que se abriam aos lados. Dois soldados levavam enroladas nos braços as extremidades da corda que lhe apertava os pulsos.
Na encruzilhada de Servilliers, o sargento mandou fazer alto: os homens, derreados, ensarilharam as armas, atiraram as mochilas para a erva, apanharam ramos secos, juncos e folhas, que amontoaram no meio da clareira, e fizeram uma fogueira, enquanto dois deles amarravam solidamente o camponês a uma árvore, com a corda que lhe prendia as mãos. O chouan, com os olhos vivos e singularmente móveis, observava todos os gestos dos seus guardas. Não tremia, não dizia palavra: mas a angústia contraía-lhe as feições: era evidente que julgava a morte próxima.
A sua ansiedade não passou desapercebida a um dos azuis (soldados da Revolução) que o amarravam. Era um adolescente franzino, de ar zombeteiro e vicioso. Enquanto apertava os nós, ia troçando da aflição do prisioneiro, naquela fala característica de certos bairros populares de Paris:
- Não te assustes, flor! Não é para já; ainda tens pelo menos seis horas de vida...
- Amarra-o bem, Pedrinho! Não o podemos deixar voar...
- Não se aflija, sargento Torquatus – respondeu o rapaz – havemos de o levar sem novidade ao general. Sabes, cão – continuou, dirigindo-se ao camponês, que retomara o aspecto impassível – não imagines que vais ser tratado como ci-devant (nobres, que em geral eram guilhotinados). A República não é rica, e há falta de guilhotinas; mas hás-de ter tua continha de bons balázios de chumbo; seis na cabeça, seis no corpo. Vai pensando nisso, meu lindo, até amanhã de manhã. Sempre te distrais...
Dito isto, Pedrinho foi sentar-se entre os camaradas, ao pé do fogo. E tirando do saco um pedaço de pão grosseiro, começou a comer tranquilamente. Quando acabou de comer o pão, Pedrinho pôs-se a limpar a espingarda. Escolheu uma bala de calibre e, segurando-a delicadamente entre os dedos, disse ao camponês, que lhe seguia todos os movimentos com o olhar:
- Estás a ver; meu menino? Esta é para ti!
Introduziu-a no cano da espingarda e, a servir de bucha, meteu um papel amarrotado. Todos os homens desataram a rir, e cada um disse uma graça, no prazer maldoso de saborear a agonia do infeliz.
- Tenho aqui uma dose igual para te servi! – gritou um.
- Vais ficar que nem uma peneira... – gracejava outro.
- Eu guardo-me para o fim: uma em cada ouvido! – gritou o sargento. E de repente, enfurecido: - Ah! Canalha de chouan – berrou, aproximando-se dele. – Se eu pusesse matar com um tiro mais mil da tua casta!...
O camponês, silencioso, permanecia calmo sob a saraivada de ameaças. Parecia escutar um ruído longínquo, que os gritos e risadas dos soldados o impediam de ouvir. E de repente baixou cabeça e concentrou-se: do fundo da floresta, subia no ar calmo da noite a voz de um sino, que a aragem dos bosques trazia, clara e ritmada... Quase a seguir, outro sino, mais grave, ecoou do lado oposto do horizonte, e depois mais outro, fino e melancólico, ouviu-se lá muito longe.
Os azuis, surpreendidos, interrogaram-se:
- Que é isto?... Por que é que estão a tocar?... Será um sinal?... Ah! Bandidos! Estão a dar o alarme!
Falavam todos ao mesmo tempo, alguns correram a pegar nas armas. O camponês levantou a cabeça e, fitando-os com os olhos claros, disse apenas:
- É Natal.
- É... o quê?
- É Natal. Estão a tocar para a missa da meia-noite.
Os soldados, resmungando, tornaram a sentar-se em volta da fogueira. E um silêncio caiu. Natal... A missa da meia-noite. Essas palavras que há tanto não ouviam impressionavam-nos: vinham-lhes à idéia vagas imagens de horas felizes, de ternura, de paz.
De cabeça baixa, escutavam aqueles sinos que falavam a todos uma língua esquecida. O sargento Torquatus pousou o cachimbo, cruzou os braços e fechou os olhos como um diletante que saboreia uma sinfonia. Depois, como envergonhado daquela fraqueza, voltou-se para o prisioneiro e perguntou num tom duro:
- És cá do lugar?
- Sou de Coglès, aqui perto.
- Então ainda há padres-curas lá na tua terra?
- Os azuis não chegaram a toda parte, não atravessaram o Couesnon, e daquele lado ainda se vive em liberdade. Estão a ouvir? É o sino de Parigué que está a tocar agora. O outro, o mais pequeno, é o do castelo do senhor de Bois-Guy, e de acolá, mais longe, é o sino de Montours. Se o vento estivesse de jeito, até se ouvia o sino grande de Landéans.
Um dos soldados, Gilles, que permanecera silencioso durante as ameaças feitas ao chouan, ouvia agora com grande atenção e parecia particularmente tocado. Os demais, após um fugaz movimento de ternura, haviam fechado definitivamente seus corações.
Nesse instante, de todos os cantos do horizonte, subia na noite o badalar das aldeias longínquas: era uma melodia doce, cantante, harmoniosa, que ora se ampliava, ora diminuía ao sabor do vento. Gilles, de cabeça baixa, escutava. Pensava em coisas há muito esquecidas; via a igreja de sua aldeia natal, resplandecente de velas acesas, o presépio de grandes rochedos musgosos onde brilhavam lamparinas vermelhas e azuis; ouvia subir, na memória, os alegres cantos de Natal, essas músicas que tantas gerações entoaram, ingênuas loas, tão velhas como a França, onde há pastores, flautas, estrelas e criancinhas – e que falam também de paz, de perdão, de esperança... Ele sentia degelar o coração ao bom calor dessas imagens suaves, de que andava há tanto afastado.
Os sinos ao longe continuavam a tocar. Torquatus determinou que todos fossem repousar, e designou Gilles para a primeira hora de ronda. Em pouco tempo o improvisado acampamento estava montado, e os azuis exaustos daquele dia, e desejosos de esquecer o som daqueles sinos que lhes haviam trazido tantas recordações de uma infância católica e feliz, ressonavam estirados sobre mantas de dormir.
A fogueira crepitava ainda, mas com menos ardor. Só Gilles e o chouan permaneciam acordados. O azul então, com cuidado, procurando não pisar nos gravetos secos que podiam estalar, aproximou-se da árvore onde, amarrado, o chouan o olhava... o advinhava!
- Sabes, disse o soldado quase ao ouvido do prisioneiro, na minha terra fazia-se um grande berço na igreja, punha-se um Menino Jesus lá dentro, ladeado por Nossa Senhora e São José.
E inopinadamente acrescentou: - Queres ficar livre? Eu te solto!...
Mas e tu? Vais morrer em meu lugar? Eles te esquartejam.
- Eu fujo também. Estou farto desta Revolução à qual me levaram a aderir. Minha família sempre foi católica. Em casa, desde a infância aprendi a respeitar o Rei.
- Então vem comigo, respondeu o chouan. – Volta à fidelidade. Eu te levarei a um padre que não fez o juramento revolucionário, para que te confesses. Defenderemos juntos Nosso Senhor Jesus Cristo e o Rei legítimo.
A essa altura, o ex-azul, com uma faca afiada cortava as cordas que prendiam o prisioneiro. Em questão de instantes ambos se embrenhavam na floresta por caminhos que só o chouan conhecia. Os sinos já não se ouviam mais nos ares, mas nos corações daqueles dois homens eles continuavam a tocar. Era Natal!
(Adaptação de um conto de G. Lenôtre, publicado em “Lendas de Natal”, Editorial Verbo, Lisboa, 1966). – Transcrito da Revista Catolicismo de Dezembro de 1989 –)

sexta-feira, 26 de novembro de 2010

Para sua apreciação, análise e cometário!

Revivendo o Espírito de Natal em suas vésperas!


A agência de notícias Reuters do dia 6 de outubro noticiou que uma organização alemã composta de católicos, a Bonifatiuswerk, promove uma campanha que reacende o debate sobre quem representa o verdadeiro Espírito de Natal. Se é São Nicolau, que leva às crianças benefícios tanto espirituais como matérias ou é o seu clone (ou sósia) o Papai Noel que distribui presentes às crianças!



A campanha vem mostrando ao público alemão o perigo da substituição de São Nicolau por Papai Noel que é uma “invenção de uma indústria publicitária, visando promover as vendas”, assim o classifica a organização. Por isto está promovendo anúncios com os dizeres “áreas livres de Papai Noel”.



A importância de ressaltar a mensagem espiritual que reluz do Natal, fez com que várias celebridades alemãs aderissem a esta causa. A apresentadora de TV alemã Nina Ruege, por exemplo, se pronunciou diante do tema: “Diferentemente de Papai Noel, São Nicolau quer dar riquezas interiores às crianças, e não apenas tentar incentivá-las a lutar por riquezas materiais”.


***


Na aurora do Natal


Todos nós já fomos crianças e sempre procuramos em Papai Noel um São Nicolau! Lembra-se! Quando nossas mães começavam a montar a árvore de Natal, para nós era um sonho que se realizava. Gostávamos de ajudar mesmo diante de nossa desajeitada pequenez. Quando ela nos dava um enfeite para ser posto, passávamos a ser o próprio autor daquela obra prima! Aos pés da árvore de Natal nada se encontrava, a não ser a esperança de que um bondoso homem ali passaria e depositaria todos os nossos sonhos.



Mas é chegada a hora de tornar clara a razão deste dia! É o nascimento de Deus feito Homem, Nosso Senhor Jesus Cristo nascido da Virgem Maria em um presépio!



Nossa mãe começa com muito cuidado a desembrulhar as peças do presépio para compor o grande cenário. Intuímos que nossa ajuda ali não se faz necessária, porém um mistério rodeia aquela confecção e dá margem para fazermos aquelas perguntinhas: Por que isto? Por que aquilo? Quem é? E assim por diante. Todas elas são respondidas - com um toque de seriedade e de bondade materna. É como alguém que anda num deserto à procura de água e quando a encontra tem esta sensação: Ufa! Até que enfim encontrei! Algo disto vivenciamos no Natal.


Esta seria com certeza uma mensagem de Natal dada por São Nicolau ou pelo menos uma impressão deixada por ele, ao contrário do Papai Noel, no máximo este diria: Ho! Ho! Ho!

A involução da Sacralização do Natal!