O IGUALITARISMO É
PECADO?
Leo Daniele
Esta pergunta,
conforme o público a que se dirige, pode ser um pouco difícil de responder.
Pois, à primeira vista, o igualitarismo é geralmente uma maneira de pensar, e
não um ato, como o de roubar, matar, mentir, etc .
Pode ser pecado uma
simples maneira de pensar? Há quem diga que não: “Eu penso isso, ele pensa
aquilo”, e como se diz popularmente, “fique cada um na sua”.
Mas diz Dr. Plinio:
“Assim como há modos diferentes de respirar, há distintas maneiras de
pensar. Um velho agonizante numa Santa Casa de Misericórdia, respira. Mas é um
fio apenas de oxigênio que lhe entra pelos pulmões, num metabolismo já difícil
e prestes a acabar. Assim é o pensamento moderno. Não conseguindo parar de
pensar, o homem de hoje apenas intui.”[1]
Isso se dá com o
igualitarismo.
Antigamente, se
julgava, analisava e comparava. “O homem moderno não julga, prefere
concordar, aceitando tudo ¨. Muitos pecados começam desta maneira, com
apenas “um fio de pensamento”. E num fio de pensamento pode entrar muita
maldade.
Diz Dr. Plinio:
“A pessoa orgulhosa, sujeita à autoridade de outra, odeia primeiramente o jugo
que em concreto pesa sobre ela. [2]
Portanto, o
igualitarismo é um pecado de orgulho. O orgulho e a inveja são defeitos
capitais, segundo ensina o Catecismo. São pecados.
Dr. Plinio
acrescenta:“O orgulhoso odeia genericamente todas as autoridades e todos os
jugos, e mais ainda o próprio princípio de autoridade, considerado em abstrato.
E porque odeia toda autoridade, odeia também toda superioridade, de qualquer
ordem que seja. E nisto tudo há um verdadeiro ódio a Deus.”
Alguém dirá: Eu sou
igualitário, mas não odeio a Deus.
Quem odeia a obra
de alguém, odeia esse alguém, ainda que esse ódio não seja inteiramente
explícito.
Por exemplo, um
pintor inaugura uma exposição de seus quadros. Entra alguém, e suja deliberada
e propositadamente um quadro. Pode ele dizer que não odeia o autor dos quadros?
De forma alguma! Pois odeia sua obra. Ora, Deus criou o universo a sua imagem e
semelhança, e o criou desigual. Portanto, amar a desigualdade do universo é
amar a Deus, e odiar as desigualdades é odiar a Deus que é o autor delas.
“A beleza de
Deus se reflete no conjunto hierárquico e harmônico de todos esses seres, de
tal maneira que não há, em certo sentido, melhor modo de conhecermos a beleza
infinita e incriada de Deus, do que analisando a beleza finita e criada do
Universo, considerado não tanto em cada ser, quanto no conjunto de todos eles”.[3]
Por exemplo, em
matéria de agricultura deve haver uma desigualdade harmônica, e portanto
grandes, médias e pequenas propriedades. Nem os grandes devem esmagar os médios
e pequenos, nem estes podem revoltar-se e querer aniquilar os grandes.
O igualitarismo
está, pois, intimamente ligado ao pecado de orgulho, que é sua força
propulsora. Portanto, como o orgulho é pecado, assim também o igualitarismo.
[1] Conferência em 15-9-66.
[2] Plinio Corrêa
de Oliveira, Revolução e Contra-Revolução, I-VII,3A
[3] Conferência em
15-5-59.Fonte: IPCO, Maio de 2012.










