A juventude não foi feita para o prazer, mas sim para o heroísmo!

quarta-feira, 26 de setembro de 2012

Limpar a poeira e tirar o mofo I



Pe. David Francisquini

A propósito de recentes estatísticas apontando o crescimento das facções protestantes em detrimento da religião católica, recordo-me que no final da década 1960 um jornalista muito arguto e pouco fiel à nossa santa fé chegou a afirmar que o Brasil não tardaria a se transformar no maior país ex-católico do mundo.
À época, eu cursava o Seminário Menor no Paraná e já podia perceber a transformação paulatina e persistente nos meios católicos através de sacerdotes ditos progressistas. Com ou sem pretexto, eles compareciam no Seminário a fim de fazer reuniões, acenando sempre para uma mentalidade nova a contrarrestar valores então vigentes, qualificados não sem alguma malícia de “empoeirados” ou cobertos de mofo.
Por ser conservadora, a diretoria do referido seminário começou a sofrer pressão de um órgão do Vaticano e do episcopado paranaense para se adaptar aos novos tempos, sob pena de abandonar aquela casa de formação sacerdotal. Seu ex-reitor deve possuir em seus arquivos os documentos que exigiam a sua cabeça e a dos demais sacerdotes que o coadjuvavam.

A diocese tinha cerca de cem seminaristas menores, doze mil congregados marianos e filhas de Maria, além de outras associações de leigos. Um sacerdote aggiornato do Rio Grande do Sul, encarregado pelo bispo, visitava uma a uma dessas associações, sempre propondo limpar a poeira e tirar o mofo através da modernização, mesmo que precisasse desautorar o sacerdote que dirigia as referidas associações.
Num ambiente assim hostil ao ensino tradicional, surgiu uma nova liturgia. O altar do santo sacrifício da Missa foi substituído por uma mesinha de frente para o povo, músicas profanas foram introduzidas nas celebrações, o espírito religioso dos fiéis cedeu lugar a uma mentalidade mundana, e muitas vezes se parodiavam os protestantes. Já no Seminário Maior em Curitiba, presenciei e ouvi de um sacerdote no sermão a apologia do protestantismo ao afirmar que a Igreja havia mudado sua posição.
        À noite daquele mesmo dia, com a presença de todos os seminaristas, católicos e protestantes se reuniram numa igreja da capital paranaense. No púlpito se revezavam padres e pastores. Houve padres que ousaram defender o fim do celibato. A partir daí, muitos sacerdotes passaram a sofrer de um mal que ficou conhecido como “crise de identidade”, outros ainda lamentavelmente abandonavam o sacerdócio em decorrência das novidades surgidas a partir do Concílio Vaticano II.
Para os avisados a notícia da redução do número de católicos no Brasil não chega a surpreender, pois o ambiente vinha sendo amplamente preparado, como se pode observar na leitura do livro “Em defesa da Ação Católica”, de Plinio Corrêa de Oliveira. Nessa obra, escrita em 1943, o autor mostra a mudança não apenas de comportamento, mas igualmente de doutrina, a partir de uma ala modernista que se tornou atuante já na década de 1930, não respeitando os tradicionais ensinamentos da Santa Igreja.

Às vezes me pergunto se o clero brasileiro, sobretudo o episcopado, está realmente preocupado com a defecção e apostasia dos católicos que passam a engordar as fileiras do protestantismo. Fala-se muito em ecumenismo nos meios católicos, mas como o clero teria deixado escapar tantas ovelhas de seu rebanho? São os católicos que estão fazendo proselitismo para esvaziar os ambientes das seitas protestantes, ou são estas que se aproveitam da decadência religiosa e do clero? Como fica o dogma de que fora da Igreja não há salvação?

    Essas perguntas me vêm ao espírito ao imaginar a situação alarmante daqueles que apostataram ao renegar a fé recebida no santo batismo. Qual teria sido a causa mais profunda desse abandono em massa – um terço dos católicos – da fé no único Deus verdadeiro e da religião única e verdadeira desse mesmo Deus que é a Santa Igreja Católica Apostólica Romana? Para responder tais interrogações, precisamos analisar a vida religiosa antes do Concílio Vaticano II, assunto que fica para um próximo artigo.

Fonte: Pe. David Francisquini, agosto de 2012.

sábado, 1 de setembro de 2012

50 anos depois, padres jovens retomam a batina que padres velhos jogaram fora para dar impressão de jovens



Há 50 anos a “libertação” da batina era tida gesto “jovem”
Luis Dufaur

Há 50 anos o cardeal arcebispo de Paris, Mons. Maurice Feltin, aprovou que os padres deixassem de usar a batina em condições normais.
Sua decisão, tomada em 29 de junho de 1962, não se apresentou como doutrinária ou moral, mas pastoral, visando adaptar os costumes eclesiásticos às mutações da sociedade. De fato, significou uma mudança histórica e foi acompanhada no mesmo ano pela maioria das dioceses francesas.

O “clergyman” foi acolhido até com euforia por sacerdotes novos e “beatas” de sacristia, relembrou o colunista da revista “La Vie”, Jean Mercier em artigo sob o sugestivo título de “A veste de luz”.
Mercier insiste na “embriaguez de modernidade” daquele momento pouco anterior ao Vaticano II para se compreender que a mudança foi recebida como “verdadeira liberação”.

Hoje, jovens eclesiásticos querem a batina.
Foto: seminaristas em cerimônia de tomada de batina
Aproximadamente desde o Concílio de Trento os sacerdotes usavam batina para se diferenciarem do resto dos homens.

A batina adquiriu sua forma bem conhecida no século XIX. Escreve Mercier:
“Faz pensar na morte, na Cruz. O sacerdote que a veste [a batina] se compromete a imitar a Cristo casto e pobre. Ela sinaliza sua renúncia ao prazer e à sedução e, num sentido mais largo, sua renúncia ao mundo, quer dizer, ao sistema que marca as relações humanas pelo desejo de poder, dinheiro e aparência. A batina é uma forma de túmulo. Ela faz eco à antiga prática de se revestir de um ‘véu mortuário’ na cerimônia de entrada de religiosos e religiosas em religião, para simbolizar a morte à vontade própria e ao mundo”.

Em 1962 tudo isso ficou para trás: a lógica do abandono da batina foi a mesma da abertura ao mundo profano, laicizado, que repelia a submissão e a obediência.
Por isso foi uma ruptura enorme.


Para o simples fiel, padre sério anda de batina
O “clergyman” durou muito pouco e acabou sendo abandonado na onda da revolução libertária de Maio de 68.

“É proibido proibir”, clamavam nas ruas operários, estudantes e sacerdotes rebeldes contra toda restrição, inclusive a sexual.
Porém, 50 anos depois, os papeis se inverteram. São os sacerdotes jovens que querem usar a batina cuja abolição os velhos defendem.

Mercier constata, espantado, que não se trata apenas de jovens sacerdotes tradicionalistas: “Hoje, o grande assunto entre os padres é saber se eles têm a coragem de assumir a batina”, dizia um deles ao jornalista.
No modo de ver dos simples fiéis, a batina está primeiramente associada à ideia de tradicionalismo.

Em segundo lugar, diante do padre jovem de batina, o fiel pensa tratar-se de alguém que celebra discretamente a missa tridentina em latim, sob a forma aprovada pela Santa Sé como “extraordinária”.
No fundo da cabeça da pessoa da rua – constata Mercier – a imagem do padre verdadeiro continua ligada à batina, malgrado as transformações introduzidas pelo Vaticano II.

Um sacerdote amigo do colunista lhe contou que foi a Lourdes recentemente com outro padre. Só que este último usava batina, e ele só um clergyman preto.
Capelão militar em Lourdes
Mercier apresenta esse padre de clergyman como um homem de boa presença e “carismático”, e o de batina como tímido, pouco dotado de qualidades e brilho pessoal.

Entretanto, quando iam pelas ruas de Lourdes, eram parados sem cessar por peregrinos que pediam para benzer objetos.
“Em momento algum eles se dirigiram a mim, contou o padre de clergyman, embora fosse evidente que eu sou padre, mas sempre a meu amigo de batina. Eu acredito que era por causa da batina. Ela exerce efeito especial sobre as pessoas que estão longe da Igreja, um atrativo poderoso”.

Mercier diz que teria muitos outros testemunhos no mesmo sentido para narrar.
Para os padres de mais 60 anos – acrescenta – a batina é um retrocesso, é arrogância, endurecimento ideológico, uma renúncia a tudo pelo que eles combateram na vida.

Mas os jovens sacerdotes, os quais voltaram a usá-la em 2012, pensam que ela serve melhor para evangelizar. Em se tratando de “dar testemunho”, que melhor testemunho pode haver que andar de batina pelos logradouros públicos?
Cena em Roma: batina contradiz maus costumes
Mas para Mercier, que não é amigo da batina, há um problema muito delicado.

A batina está ligada estreitamente ao celibato e os padres sentem muito isso.

Optar por não casar para seguir a Jesus Cristo e trabalhar pelo Reino de Deus: isso a batina prega como nenhum outro símbolo.
“A veste preta que cobre o corpo todo, escreve Mercier, é um escândalo para um mundo que exibe a carne, onde prevalece um conformismo social tirânico em matéria de sexualidade, onde se afirma ser anormal que alguém não seja sexualmente ativo. Ora, o sacerdote que pratica a castidade e escolhe o celibato encarna a resistência contra esse modo de pensar dominante. O fato de usar batina participa da radicalidade de Cristo e de seu Evangelho”.
Mercier recomenda a seus amigos, sacerdotes e leigos engajados como ele no movimento progressista e que hoje se sentem cada vez mais frustrados, não polemizar com os jovens padres de batina.
Se isso acontecer eles vão radicalizar mais e a situação vai ficar pior para aqueles que um dia julgaram que conquistariam o mundo mostrando-se “jovens” e jogando as “velharias” da Igreja pela janela. Como a batina…
Fonte: IPCO, agosto de 2012.

terça-feira, 28 de agosto de 2012

Ateus querem retirar cruz do museu do World Trade Center. Eles afirmam sofrer dores físicas e emocionais com a presença dela


 (Foto acima: o crucifixo instalado na frente da igreja São Pedro, em Manhattan.)

Edson Carlos de Oliveira
Há um ano, um grupo de ateus do movimento American Atheist Inc entraram com uma ação judicial exigindo que a World Trade Center (WTC) Memorial retirasse o crucifixo feito com destroços do WTC que foi instalado com destaque no museu da instituição. Nesta semana, os advogados do memorial pediram para que o tribunal de Manhattan descarte a ação movida pelos ateus.

História da cruz milagrosa

Dois dias após os ataques terroristas de 11 de setembro (2001), os trabalhadores encontraram entre os destroços do World Trade Center uma viga de aço, com a forma de um crucifixo, de cerca de 10 metros de diâmetro, 20 metros de altura e pesando 10 toneladas (foto a cima).

"Foi uma cruz inconfundível, feita de metal retorcido, como se tivesse sido intencionalmente plantada", disse um trabalhador da equipe de resgate. O produtor do Filme “
The Cross and the Towers” (ver trailer), Scott Perkins, disse que, diante dos esforços exaustivos dos trabalhadores, "era como se Deus estivesse estendendo a mão e dizendo: 'Eu estou com você, eu estou aqui, venha encontrar a paz em mim'".

Depois de encontrada, a cruz foi transferida para a igreja de São Pedro, uma paróquia católica perto do local do desastre, em Manhattan.

Fanatismo ateu

Em julho do ano passado, a cruz foi transferida da frente igreja para o museu do memorial, provocando a ira dos ateus.

Para Kenneth Bronstein, presidente do New York City Atheists, "a cruz não é um milagre. É apenas um par de vigas enferrujadas, uma das centenas encontradas após as Torres Gêmeas caírem".

Dave Silverman, presidente do American Atheists, autor da citada ação judicial, afirma que a permanência do símbolo católico contraria a constituição americana e é uma forma de divulgação, por parte do Estado, de uma Religião em detrimento das demais.
A cruz precisou entrar
pelo teto do museu.
"Os cristãos podem amar e se reunir em torno do que eles quiserem, e se eles querem endeusar um pedaço de entulho, isso é com eles, mas isso não significa que eles merecem uma representação exclusiva no memorial do WTC", disse Silverman.

Dores físicas e psicológicas pela presença da cruz

Os ateus afirmam no texto da ação judicial que "sofreram, sofrem e continuarão a sofrer danos, tanto físico como emocional, pela presença da cruz". Eles dizem ter "sofrido dispepsia, sintomas de depressão, dores de cabeça, ansiedade e angústia por se sentirem excluídos oficialmente das fileiras dos cidadãos que foram diretamente prejudicados pelo ataque de 9/11".

A defesa do Museu

Em resposta, o World Trade Center Memorial Foundation (WTCMF) defendeu o crucifixo, por ser "símbolo de conforto espiritual para milhares de trabalhadores que atuaram no resgate das vítimas do Ground Zero".

No documento de defesa entregue ao tribunal, o WTCMF descreve que é uma organização independente, sem fins lucrativos, e não uma agência governamental. "As decisões de seus curadores de mostrar objetos particulares no museu não são ações do Estado" e, portanto, as proteções constitucionais citadas no processo não são aplicáveis.

De acordo com o museu, a cruz é um "artefato importante e essencial" que "compreende um componente chave da nova versão da história de 9/11, em particular o papel da fé nos eventos daquele dia e, principalmente, durante os esforços de recuperação".
Trabalhadores rezam diante do crucifixo.
"Depois de sua descoberta, o artefato foi venerado por alguns trabalhadores durante o curso da operação de resgate e recuperação no Ground Zero, incluindo nos serviços religiosos realizados por um sacerdote", diz o documento.

O museu também se negou a atender ao pedido de grupos ateus de colocar em exposição um artefato de 17 metros ou um broche de lapela em memória do ateísmo.

Alice Greenwald, diretora do museu, explicou que "não é irracional que o Museu 9/11 não apresente esses itens", pois o Museu não é um "negócio de fornecer tempo igual para as religiões, mas sim para contar a história de 9 de setembro e de suas vítimas".
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Fontes consultadas:
- OpposingViews,
Atheists See World Trade Center Cross as Battle Over Equal Rights, 19/8/2012.
- CBS New York, Atheists Want WTC Cross Out Of 9/11 Museum, 15/8/2012.
- New York Post,
9/11 cross check, 15/8/2012.
- ABS CBN News,
World Trade Center 'cross' causes religious dispute among Fil-Ams, 20/8/2012.

Fonte: Conservador, agosto de 2012.

segunda-feira, 27 de agosto de 2012

Batalha religiosa nos EUA em torno do sanduíche de frango


Marcio Coutinho
No dia 1º de agosto, longo engarrafamento em Ashland, Kentucky,
para comprar na rede Chick-fil-A e apoiar a familia tradicional.

A rede de lanchonetes americana Chick-fil-A, conhecida pelos seus sanduíches de frango – com mais de 1.600 filiais –, costuma doar parte de seu lucro às campanhas pró-família que, dentre outras ações, promovem ações contra o chamado “casamento” homossexual.
A Folha de São Paulo (27/7/2012) informa que Dan Cathy, presidente da rede, “pronunciou em entrevistas que a empresa segue “a definição bíblica” de família para justificar as doações”, e que a página da rede no Facebook diz quea empresa sempre “aplicou princípios bíblicos, como fechar aos domingos e doar parte do lucro”.

Tal declaração suscitou ferozes reações de movimentos favoráveis às práticas homossexuais que qualificaram o sanduíche como “frango do ódio”. Thomas Menino, prefeito de Boston – cidade onde o dito “casamento” entre pessoas do mesmo sexo foi legalizado – prometeu “vetar a abertura de uma filial na cidade”. Logo em seguida o prefeito foi “criticado em editoriais por atentar contra a liberdade de expressão”. Apoiando o boicote à rede, a empresa dona dos personagens Muppets “rompeu o contrato que tinha feito para fornecer brindes à Chick-fil-A por causa de sua posição anti-homossexual”.
Em Fresno, Califórnia, em 1ºde agosto, formou-se uma
longa fila para comprar o sanduíche de frango.

Entretanto, reações entusiastas a favor da rede “pró-família” logo se fizeram sentir. Mike Huckabee, governador do Arkansas, manifestou-se contrário às campanhas de boicote feitas à Chick-fil-A, e apontou a contradição: quando a esquerda faz declarações de que empresas vêm dando apoio ao “casamento” homossexual, ao aborto, ou a profanações, nenhuma represália vem à tona, mas, quando cristãos afirmam valores tradicionais, são tachados de homofóbicos, fundamentalistas, semeadores de ódio e intolerantes.

Neste contexto, em que a questão religiosa americana se intensifica, Huckabee convocou a todos que defendem valores familiares tradicionais para comprarem sanduíches no dia 1 de agosto nas lojas do Chick-fil-A, o que ficou conhecido como “Chick-fil-A Appreciation Day“.
Até Rick Santorum, figura proeminente do Partido Republicano, mandou um e-mail com a seguinte mensagem: “Ajude-nos a lutar pelos valores familiares tradicionais: coma frango”.

Mais de 640.000 pessoas se comprometeram a participar de Chick-fil-A Appreciation Day.

No dia marcado houve imensas filas para comprar sanduíches, além de congestionamentos quilométricos de automóveis nos drive-thru. Ao longo do dia as filas iam aumentando. No final, o sucesso foi tal que várias lojas ficaram sem matéria prima. Quando anunciavam às pessoas nas filas que tal ou tal tipo de sanduíche tinha acabado, todos aplaudiam. Algumas filiais registraram o aumento de 200% nas vendas, um record mundial histórico para restaurantes de fast-food.
Há quem diga que a questão religiosa se polarizou apenas nos EUA. Contudo, acontecimentos correlatos são evidenciados a todo o momento pelo mundo afora, por exemplo no Brasil onde, na sua ultima eleição, em 2010, Aborto, Família e Deus tornaram-se pauta eleitoral e os próprios candidatos manifestaram um aumento súbito de piedade para tentar acompanhar os anseios da população. É de se esperar que da próxima vez pelo menos seus “diretores espirituais” (os marqueteiros), os ensinem a fazer o Sinal da Cruz com a mão direita…

No momento atual, o Brasil enfrenta uma nova investida dessa Revolução Cultural que quer fazer tremer as instituições no mundo inteiro.
Então não deixe de protestar contra as propostas anti-família do projeto do novo Código Penal Brasileiro. Envie agora sua Petição ao Presidente do Congresso Nacional. Em que Ação Jovem está apoiando!

domingo, 26 de agosto de 2012

O célere caminhar do nudismo


Tudo começou com noticias de que mulheres feministas, reunidas num grupo chamado Femen, realizavam na Ucrânia manifestações de protesto, sempre em topless e às vezes quase totalmente desnudas

Cid Alencastro

O fato em si não seria de molde a despertar grande interesse, pois, ao longo da História, sempre houve mulheres marginais (como também homens), que ligam pouco para as regras da moral e da decência. Tanto mais que a Ucrânia tem uma das maiores taxas de prostituição da Europa. O que chamava muito a atenção, isto sim, era o fato de a mídia mundial conceder grande espaço, inclusive com fotos, para tais manifestações. Ficava a desconfiança de que algo de maior alcance estava em gestação.

As desconfianças aumentaram quando o mesmo grupo ucraniano apareceu fazendo protestos contra o turismo sexual, a exploração de gás e diversos outros temas em Varsóvia (Polônia), Hamburgo (Alemanha), Paris (França), Istambul (Turquia), Zurique (Suíça), Minsk (Bielorrússia), etc. Quem terá financiado essas viagens internacionais e as respectivas estadias? Esse exercício de globetrotters fica caro. E não consta que essas mulheres exibicionistas sejam milionárias. A quem interessa financiá-las? Curiosamente, a mídia, sempre afoita em descobrir fontes duvidosas de recursos, silenciou sobre esse ponto, ao mesmo tempo que noticiava largamente tais “protestos” pelo mundo afora.

Faltava envolver o Brasil nessa mascarada. Mas já não falta mais. Vem sendo propagandeada uma “ativista” brasileira desse grupo, que participou de “protestos” na Ucrânia. Segundo ela, o tal Femen “já tem 12 mulheres de capitais do Brasil interessadas em realizar protestos na Copa do Mundo de 2014 [...] A ativista também assegura que as próprias líderes do Femen, em 2014, devem viajar ao Brasil para participar de protestos [...] A brasileira ficará responsável por organizar e liderar projetos das ativistas na América Latina”. (“Portal Terra”, 1-7-12). E prossegue: “As líderes do Femen viajam até Londres para também realizar protestos durante os Jogos Olímpicos”.

Qual a vantagem que advém, para as causas defendidas por essas ativistas, do fato de elas aparecerem em topless? Aparentemente nenhuma. Então por que esse exibicionismo? Ao que tudo indica, sob pretexto de “protestos” de diversos tipos, o que está em curso é uma ofensiva calculada para expandir o nudismo e torná-lo uma coisa “normal”.

Porém, o mais grave é que não se trata de manifestações isoladas, numa sociedade moralizada. Não é um demônio aparecendo entre anjos, como no episódio narrado no Livro de Jó: “Um dia em que os anjos se apresentaram diante do Senhor, veio também Satanás entre eles” (Jó, 1,6).

Não. Tal ofensiva de topless é a ponta de lança num caminhar para o nudismo, dentro do contexto da moda atual, favorecedora de todo tipo de micro-roupas, em que o pudor e frequentemente a própria decência são totalmente ignorados.

Ora, o nudismo é um ingrediente necessário do caminhar da revolução universal anárquica que visa à demolição total do que ainda resta de civilização cristã no mundo. Nesse caminhar rumo à anarquia, dizia Plinio Corrêa de Oliveira, “há de chegar o momento do nudismo total e da inteira e total liberdade de relações sexuais, como entre os animais” (Revista Catolicismo, abril/1998). É para lá que nos dirigimos com celeridade, se a Providência Divina não cortar o passo a essa Revolução.

Fonte: IPCO, agosto de 2012

sexta-feira, 24 de agosto de 2012

A Universidade Brasileira e o Sistema de Cotas


Leo Daniele

Os exames vestibulares terão uma novidade, a partir do fim deste ano e início do próximo: serão aplicadas as cotas raciais e sociais, já aprovadas. As universidades e escolas técnicas federais serão obrigadas a reservar metade de suas vagas a candidatos que cursaram o ensino médio na rede publica. Desta metade, 50% serão destinadas a alunos cuja renda familiar não ultrapassar l,5 do salário mínimo. Terão prioridade os estudantes autodeclarados negros, pardos ou indígenas. Que pensar deste affaire?

O assunto pode ser examinado debaixo de dois ângulos principais: 1. o bem das classes menos favorecidas; 2. o bem comum de todo o País.

Vejamos primeiramente se as cotas vão realmente ajudar os estudantes mais pobres.

1. As cotas são uma das metas do Movimento dos Sem Universidade (MSU), congênere dos sem terra e dos sem teto, com boné e tudo o mais. O MSU é menos conhecido — por enquanto — que seus congêneres.

O MSU, como os outros “sem”, é uma criatura da esquerda católica, e ela o reconhece como tal. Surgiu “da organização dos Cursinhos Populares, do ativismo social da Pastoral da Juventude do Meio Popular e da Pastoral da Juventude”. O nome foi sugerido por Dom Pedro Casaldáliga, bispo aposentado da extrema esquerda católica e patrono dos sem-terra.[1]

Aparentemente, existiria para auxiliar os negros e as classes menos favorecidas. Será mesmo?
Liu-Chao-Chi, Secretário do Partido Comunista Chinês e autor do livro “Para ser bom comunista”, diz que ajudar os menos favorecidos “é um ideal de filantropos, não de marxistas”. Ou seja, os marxistas só se interessam pelas classes inferiores como massa de manobra política, como ferramenta de luta, como “bucha para canhão”. E Henri Lefèbvre, um dos mais conhecidos teóricos do marxismo, afirma: “O marxismo não alimenta um humanismo sentimental e choramingão. [...] O marxismo não se interessa pelo proletariado enquanto fraco, mas enquanto ele é uma força”.[2]

O golpe é velho: procura-se açular alguém a quem falta alguma coisa contra os que a possuem, manipulando duas reprováveis tendências da natureza humana decaída: a ambição e a inveja. Visando o que? Em última análise, o igualitarismo. A compaixão pelos menos favorecidos é excluída.

Quem entrou em alguma universidade por causa das cotas, sem estar qualificado, pode ter problemas depois. Se não desistir durante o curso, terá de enfrentar em desvantagem a concorrência no mercado de trabalho. Terá de pagar seu preço por ter querido fugir da realidade. Uma pergunta: será que em futuro próximo vão estabelecer cotas também para o mercado de trabalho? É uma pergunta lógica.

Os campeões da igualdade e da “inclusão” social, em sua paixão destemperada, nada mais fazem que humilhar a simpática raça negra, a que tanto deve o Brasil.

Claudimara Cristina Carvalho afirma: “Sou negra, e entrei para a faculdade sem precisar de cotas. Aliás, na faculdade em que prestei, não há diferença para negros. Se o não-negro dispensa cotas para entrar na faculdade, por que nós negros precisamos?”

A estudante Luana Miranda, de 19 anos, se prepara para o vestibular no Cursinho da Poli. Negra, apesar de ser beneficiada pela lei, ela é contra as cotas raciais. “Os negros ainda sofre preconceito, a elite brasileira é branca. Mas isso não justifica as cotas. Não é a cor de pele que diz as dificuldades pelas quais você passou”, diz ela.

No fundo, a reserva de cotas para negros recende a racismo. É o pensamento do negro Ingo da Silva, que diz: “Todos os negros devem rejeitar isso, porque mais parece esmola. [...] Vão dizer: ‘Está cursando porque deram uma mãozinha’”.

Essa movimentação a favor das cotas ‒ de fato, cotas privilegiantes de alguns, que põem de lado os méritos de outros ‒ está fazendo como alguém que, para não ter febre, quebra o termômetro. Escamoteia o medidor do nível de preparo, que é o vestibular. A exemplo de seus similares sem-terra e sem-teto, com o sistema de cotas se cria uma nova categoria de “invasores”: os sem-universidade. Ao que parece, a esquerda não consegue principiar nada sem algum tipo de invasão, legal ou não.

Ninguém é contra que um “sem-universidade” se torne um “com-diploma”, desde que o faça adequada e ordenadamente. Não por meio da bolorenta “luta de classes”, e sim através de um aperfeiçoamento do ensino fundamental.

2. O ponto de vista do bem comum

A meta geral das universidades é a competência e isso é uma das muitas coisas de que o Brasil precisa. Por que este privilégio das cotas, que desafia o bom senso, favorecerá a competência no caso das universidades? A medicina brasileira terá o grau de acerto aumentado? Onde ficará a segurança jurídica? Que garantia teremos da solidez dos edifícios? Aonde iremos parar?

Pete Du Pont argumenta com acerto: “Se nossa política é falsificar a medição das habilidades em lugar de melhorar as aptidões dos menos hábeis, então nos enganamos a nós mesmos e pomos em risco nossa sociedade”.[3]

Não é lógico adotar o assistencialismo como critério de seleção, quando se visa à competência, pois a fuga da realidade geralmente não produz bons resultados. Ou não se visa a competência? Aviltando a nobreza dos centros de excelência que devem ser as universidades brasileiras, o anteprojeto quer impor o reprovável figurino ideológico do nivelamento e da despersonalização.

Diz Dr. Plinio que “o bem comum visa todos os membros da sociedade e do Estado, como o bem comum do organismo inclui o de todas as células. E assim como o corpo todo é solidário para a preservação de qualquer célula, e se move para proteger as mais necessitadas, o Estado e a sociedade devem ter um empenho efetivo em proporcionar a cada membro as condições normais de existência e aperfeiçoamento.[4]

Isto não se faz com cotas raciais e sociais, mas com o bom senso próprio de uma civilização cristã.


[1] Site do MSU ‒ www.msu.org.br ‒ acessado em 8-3-05.
[2] Henri Lefèbvre, Le marxisme. Presses Universitaires Françaises, 21ª ed., Paris, p. 56.
[3] Colorblindness Is Golden – Will Californians vote to join the human race? American Civil Rights Coalition.
[4] Plinio Corrêa de Oliveira et al, “Reforma Agrária – Questão de Consciência”, ed. do cinquentenário, p. 185. Arpress, São Paulo, 2010.

Fonte: IPCO, Agosto de 2012.

sexta-feira, 10 de agosto de 2012

Para sua apreciação, análise e cometário!

O gato socialista


Leo Daniele

Lendo o noticiário nacional dos últimos tempos, lembrei-me de uma poesia que recentemente encontrei no computador, a qual encantava um colega socialista, em meu distante curso secundário. É de autoria de um notório esquerdista, C. A. Trilussa, e se intitula “O Gato Socialista”:

Um gato, conhecido socialista,
No fundo, espertalhão matriculado,
Estava devorando um frango assado
Na residência de um capitalista

Eis então que outro Gato apareceu
Na janela que dava para a área:
– Amigo e companheiro, também eu
faço parte da classe proletária!

Melhor do que ninguém, conheço as tuas ideias.
Estou mais que certo pois
De que dividirás o frango em duas partes,
uma para cada um de nós dois!

– Vá andando, resmunga o reformista,
Nada divido seja com quem for,
Em jejum, sou de fato socialista,
Mas, quando como, sou conservador!

Não desejo visar ninguém transcrevendo esta poesia. Qualquer semelhança com coisas que acontecem na atual vida política brasileira é mera coincidência…

Mas todos os socialistas serão assim interesseiros? Respondo: talvez não. Alguns seriam piores, pois fazem o mal por convicção. Imagine dois malfeitores, um que o é por dinheiro, outro que o faz o que faz por ódio e por vontade própria. Consciente e voluntariamente. Qual dos dois é pior? Evidentemente, o segundo. Esta é a minha primeira ressalva a esta poesia, escrita aliás por um socialista, que sabe do que está falando.

Outra ressalva: conservador autêntico não é como o que fica insinuado na poesia, mas sim alguém que defende com idealismo a doutrina social católica ‒ o direito de propriedade, a livre iniciativa, o papel meramente supletivo do Estado, a moralidade pública. Se assim for, eu mesmo espero ser um deles. E, ademais, contra-revolucionário, no sentido do livro “Revolução e Contra-Revolução”, do prof. Plinio Corrêa de Oliveira.

Fonte: IPCO, junho de 2012.